Anna Maria Pertl Mozart (1720-1778)


Anna Maria Walburga Pertl foi batizada em St. Gilgen, Alemanha, em 25 de dezembro de 1720, filha de Nikolaus Pertl (1667-1724) e Eva Rosina Barbara Altmann (1681-1755), que haviam de casado em 1712. Anna Maria teve duas irmãs: Clara Elisabeth Rosina (n.m.1713) e Maria Rosina Erntrudis (1719-28).

Após a morte de Nikolaus Pertl em 1724, Eva Rosina e suas duas filhas sobreviventes se mudaram para Salzburgo. Lá Anna Maria conheceu o compositor e violinista Leopold Mozart e casou-se com ele em 21 de novembro de 1747 - provavelmente contra os desejos de sua sogra Anna Maria Sulzer Mozart (1696-1766), que, até onde se sabe, nunca manteve contato com o casal.

"O mais belo casal de Salzburgo" teve sete filhos: Johann Leopold Joachim (1748-49), Maria Anna Cordula (n.m.1749), Maria Nepomucena Walpurgis (n.m.1750), Maria Anna Walburga Ignatia, "Nannerl" (1751-1829), Johann Karl Amadeus (1752-53), Maria Crescentia Franziska de Paula (n.m.1754) e Johann Chrisostomus Wolfgang Amadeus, "Wolferl" (1756-91).

Apesar de Anna Maria ter sido mãe de um compositor tão famoso, pouquíssimo se sabe sobre sua vida e sobre seu relacionamento com o filho. Podemos apenas imaginar o quanto ela deve ter ficado maravilhada e lisonjeada ao entrar com seus filhos-prodígio nas cortes de Louis XV, George III e Maria Theresia, tendo mesmo a honra de conversar em particular com esta última.

Tendo ficado em casa durante as viagens após 1768, Anna Maria voltou a viajar com o filho em 1777, quando ele ia procurar emprego no sul da Alemanha e em Paris. Leopold não tinha sido permitido pelo Arcebispo a acompanhar o filho, portanto ele escolheu sua esposa para tomar conta das coisas do filho. Essa seria a última vez que Leopold e Nannerl veriam Anna Maria.

Podemos ter uma vaga idéia do pouco domínio que a mãe exercia sobre o filho a partir desse P.S. de uma carta de Anna Maria ao marido em 5 de fevereiro de 1778, de Mannheim:

Eu nunca gostei do fato de ele estar na companhia de Wendling e Ramm, mas ele não me permitiu fazer qualquer objeção, e não deu importância ao que eu disse. Agora, assim que ele travou conhecimento com os Weber, ele prontamente mudou de idéia. Em outras palavras, ele prefere ficar com outras pessoas que comigo, porque eu discuto com ele os assuntos que me desagradam e ele detesta isso. Portanto você deve pensar por si mesmo sobre o que deve ser feito [...]. Eu estou escrevendo isso em segredo, enquanto ele está jantando, e devo fechar a carta agora, pois não quero que ele me descubra.

Os efeitos desse P.S. podem ser sentidos na ordem expressa em carta do pai para que Mozart fosse imediatamente a Paris.

São as suas cartas desse período que nos revelam alguns traços de seu caráter: era uma senhora bem humorada e atenciosa para com seu filho.

Quanto à viagem a capital francesa, ela mesma se mostrava tão relutante quanto o filho. Em Paris, Mozart tinha que deixá-la sozinha num quarto frio e escuro, enquanto ele se obrigava a fazer visitas de praxe aos nobres parisienses, alguns deles úteis, outros humilhantes. Além disso, tudo era muito caro e ruim em Paris, inclusive alimentação. A saúde de Anna Maria estava se deteriorando e sua carta ao marido em 12 de junho ela revela que teve de fazer uma sangria, e que por isso não podia escrever muito.

Após curta doença, Anna Maria Mozart faleceu em 3 de julho de 1778, tendo perto de si o filho. Ela foi sepultada no dia seguinte, no cemitério da paróquia de Saint-Eustache, Paris.


Parentes e amigos

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