Johann Valentin Adamberger (1740 ou 1743-1804)


Johann Valentin Adamberger nasceu em Rohr, Baviera, 22 de fevereiro de 1740, ou em Munique, 6 de julho de 1743, filho do músico Isaak Adamberger. Ele estudou canto com Giovanni Valesi e cantou na Itália sob o pseudônimo "Adamonti", com relativo sucesso. Após isso cantou em diversas cidades alemãs e, entre 1777-79, no King's Theatre de Londres. Entre seus personagens desse período estavam os papéis-título das óperas Creso de Antonio Sacchini e La Clemenza di Scipione de Johann Christian Bach em 4 de abril de 1778.

 

Na primavera de 1780 em Florença, Adamberger cantou em duas óperas sérias. Ele foi contratado pela Ópera Alemã de Viena naquele ano, se tornando o principal tenor e membro mais bem pago da Companhia. Sua estréia ocorreu no papel de Graf Asdrubal em Die verfolgte Unbekannte (versão alemã de L'íncognita perseguitata de Pasquale Anfossi) em 21 de agosto. No ano seguinte a sua chegada em Viena, Adamberger casou com a popular atriz e cantora Maria Anna "Nanni" Jacquet (ou Jaquet) - o casal teria uma filha chamada Antonie (1790-1867), que seria membro do Burgtheater entre 1807 e 1817, admirada em papéis trágicos e canções de Franz Schubert.

Entre seus outros papéis de Adamberger em Viena, encontram-se Don Alonzo em Die eifersüchtige Liebhaber (versão alemã de L'amant jaloux de Grètry) em 12 de outubro de 1780; Orest em Iphigenie in Tauris de C. W. Gluck (em alemão) em 23 de outubro de 1781; Admeto em Alceste de C. W. Gluck (em italiano) em 3 de dezembro de 1781; Orfeo em Orfeo ed Euridice de C. W. Gluck (em italiano) em 31 de dezembro de 1781; Ruggiero em La contadina in corte de Sacchini em 19 de abril de 1782; Belmonte em Die Entführung aus dem Serail K.384 de Mozart em 16 de julho de 1782, papel que lhe conferiu reconhecimento póstumo (Adamberger era um dos poucos que sabiam da existência da ópera, quando essa ainda era segredo); Conte Rigaverde em Il curioso indiscreto de Anfossi em 30 de junho de 1783, com Aloisia Lange; Pirolino em L'incontro inaspettato de V. Righini em 27 de abril de 1785, e M. Vogelsang em Der Schauspieldirektor K.486 em 7 de fevereiro de 1786.

Por ocasião da estréia vienense de Il curioso indiscreto de Anfossi em 1783, Adamberger e Aloisia Lange não estavam satisfeitos com as árias originais. Adamberger pediu a Mozart que lhe escrevesse uma ária nova, Per pietà, non ricercate K.420. Adamberger, porém, caiu na intriga de Salieri, que lhe dissera que o Conde Rosenberg-Orsini não achava digno de um tenor como ele recusar-se a cantar uma ária que não havia sido escrita para ele. Adamberger aceitou a provocação e cantou a ária original. A ópera foi um fracasso, com exceção das duas árias de Madame Lange.

Apesar do incidente, Mozart e Adamberger continuaram muito amigos e o compositor continuou a escrever muito para seu tenor favorito. Além dos papéis de Belmonte e M. Vogelsang, e da ária K.420, encontram-se um rondó, - acredita-se que seja Misero! O sogno, o son desto?... Aura, che intorno spiri K.431 - a ária n.6 A te, fra tanti affani, para a cantata Davidde penitente K.469 e a cantata Die Maurerfreude K.471. Mozart e Adamberger eram membros da Loja Maçônica "Esperança Coroada" (Zur neugekröten Hoffnung). Além disso, em um concerto de Mozart no Burgtheater em 28 de março de 1783, Adamberger cantou a ária Misera! dove son?... Ah! non son io che parlo K.369, originalmente escrita para soprano.

Em carta ao pai, em 23 de janeiro de 1782, Mozart se refere ao tenor como um "bom amigo." No ano seguinte, Adamberger e sua esposa foram convidados pelo casal Mozart a um grande baile que estes organizaram. Em 1785, por ocasião da visita do pai de Mozart, Leopold, a Viena, Adamberger convidou este último para jantar em sua casa. Ainda naquele ano, em carta ao poeta e dramaturgo Anton Klein, Mozart se refere ao tenor (juntamente com Katherina Cavalieri e Theresia Teyber) como um dos cantores do qual a Alemanha poderia se orgulhar.

Adamberger participou da cantata Die Auferstehung und Himmelfahrt Christi de C. P. E. Bach na residência de Johann, Conde Esterházy, regido por Mozart, ao lado de  Aloisia Lange e Ignaz Saal em 26 de fevereiro e 4 e 7 de março de 1788. Ele também cantou na estréia da reorquestração de Mozart da pastoral Acis und Galatea K.566 com Cavalieri e Tobias Gsun e do Messiah K.572 com Aloisia Lange, Katharina von Altomonte e Ignaz Saal.

Durante seus treze anos de carreira em Viena, Adamberger foi elogiado pela musicalidade e beleza de sua voz, apesar de uma certa nasalidade em seus agudos. Mozart e o Imperador Joseph II estavam entre seus admiradores; o monarca referiu-se a ele como "notre incomparable Adamberger.". Já o historiador Charles Burney escreveu impiedosamente que "se ele tivesse uma voz melhor, seria um bom cantor." Por outro lado, o dramaturgo Thomas Phillip Gebler escreveu que "ele combina grande talento artístico com uma voz maravilhosa. Nenhuma sílaba escapa ao ouvinte, nem mesmo nas passagens mais difíceis."

Johann Valentin Adamberger aposentou-se em 1793, após uma longa carreira de sucesso, passando a ensinar canto em Viena, onde faleceu em 24 de agosto de 1804.


Parentes e amigos

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