Biografia - Capítulo 2: Surgimento de um pequeno gênio (1762-1767)


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Leopold Mozart, homem prático e materialista, percebeu logo que tanta dedicação à educação musical de seus filhos lhe daria uma boa recompensa. Depois de alguns meses ele percebeu o quanto o talento de Nannerl e Mozart, especialmente deste último, poderia extasiar o mundo.

Acalentando certamente a esperança de que algum rico mecenas recompensasse o talento de seus filhos e um dia lhes desse uma renda fixa, Leopold preparou uma breve viagem para apresentar seus prodígios. O destino era Munique. Antes do sexto aniversário de Mozart, em 12 de janeiro de 1762, a família (sem Anna Maria) partiu para a cidade alemã. Pouco se sabe sobre essa viagem, senão que eles tocaram diante do Príncipe-Eleitor da Baviera, Maximilian III Joseph (e talvez para alguns dos principais amantes da música daquela cidade), e lá ficaram durante 3 semanas. Podemos dizer que a visita a Munique teve um sucesso bastante considerável para que Leopold planejasse para o outono do mesmo ano um destino mais ambicioso: Viena.

Toda a família Mozart e um criado deixaram Salzburgo em 18 de setembro. Eles chegaram a Passau às 5 da tarde de 20 de setembro. Lá Mozart tocou na residência do Bispo Joseph Maria, Conde Thun-Hohenstein. A família passou por Linz (via Rio Danúbio) em 26 se setembro e lá Mozart deu seu primeiro concerto público na Trindade (Hofgasse, 14), que, segundo Leopold, fez muito sucesso. Os Mozart chegaram à capital austríaca às 3 da tarde do dia 6 de outubro. A família passou o primeiro dia (ou os primeiros dias) no albergue Boi Branco em Fleischmarkt. A partir de meados de outubro eles passaram a morar na casa de Johann Heinrich Ditscher, em Tiefe Graben. Os pequenos Mozart deram concertos diante de vários nobres, como o Conde Thomas Collalto, o Príncipe Rudolf Joseph Colloredo-Melz und Wallsee, entre outros.

Schönbrunn era, na época, o centro político, cultural e econômico da Áustria. Maria Theresia e sua corte mantinham uma verdadeira população de artistas, inclusive a orquestra, coro e companhia de ópera reais. A Imperatriz primava pela educação musical de seus filhos, sendo Gluck, por exemplo, professor de cravo da futura Rainha Marie Antoinette.

Viena era, para quem havia vindo do confinamento que era Salzburgo, sinônimo de revolução, novidade e erudição musicais (Orfeo ed Euridice, de Gluck, havia estreado um dia antes da chegada dos Mozart a Viena). Mas só haveria o que esperar dos vienenses se Maria Theresia os ouvisse e aprovasse. Então as portas dos nobres estariam abertas. Poucas foram as apresentações dos Mozart antes de Schönbrunn.

Algumas semanas após a chegada, os Mozart despertaram definitivamente a curiosidade da família imperial (eles já tinham tido notícia dos Mozart através do Arquiduque Joseph - o futuro Imperador Joseph II -, da Condessa von Schlick e do Conde Pálffy). Em 13 de outubro eles foram convidados para tocar diante da família imperial. Podemos confirmar o sucesso dos Mozart -  descrito nas cartas de Leopold - através de memórias de contemporâneos, como o Conde Zinzendorf. Uma das damas da corte afirmou a Niemetschek (o primeiro biógrafo de Mozart) que as crianças causaram uma enorme impressão, e que as pessoas mal podiam acreditar em seus olhos e ouvidos. O Imperador Francis I testou o pequeno Mozart, cobrindo o teclado com um lenço e pedindo que Mozart tocasse com apenas um dedo de cada mão, e ele tocou da mesma destreza de antes. O Imperador ficou extremamente admirado.

Nesse dia teria ocorrido este incidente famoso: Mozart teria escorregado no chão extremamente polido do castelo de Schönbrunn. A Arquiduquesa Maria Antonia (futuramente Marie Antoinette, Rainha da França), filha de Maria Theresia, o teria ajudado a levantar-se. Mozart ficou tão surpreso e contente por tanta gentileza vinda de um membro da realeza, que a teria pedido em casamento. Todos devem ter achado encantadora a sua ingenuidade. 

Segundo Leopold, a família imperial foi muito gentil para com os Mozart. O príncipe herdeiro Joseph levou os irmãos Mozart para ver sua esposa, a infanta Isabella de Parma, tocar violino (a infanta viria a falecer no ano seguinte, de varíola). Além disso, os filhos mais novos da Imperatriz também levaram Mozart e Nannerl para conhecer alguns dos aposentos do castelo. Dois dias depois os irmãos receberam um traje de gala para cada um, enviados pela Imperatriz, como presente de reconhecimento. O traje dado a Mozart era antes destinado ao Arquiduque Maximilian, filho de Maria Theresia, que tinha praticamente a mesma idade do jovem prodígio e viria a ser um grande admirador seu.

Desde então os irmãos Mozart tocavam exaustivamente e quase diariamente em casas de diversos nobres vienenses. Em 19 de outubro os Mozart receberam de Schönbrunn um pagamento de 100 ducados e um pedido oficial para que permanecessem mais tempo em Viena. Na tarde do mesmo dia os irmãos Mozart tocaram diante do embaixador francês Florent-Louis-Marie, Conde du Châtelet-Lomont, que os convidou para tocarem no Palácio de Versailles. Em 21 de outubro os Mozart tocaram novamente em Schönbrunn. Na mesma noite Mozart ficou seriamente doente. O médico pensou que ele estava com febre escarlatina, mas na verdade teria sido eritema nodoso, certamente conseqüência de seu organismo debilitado. Segundo relatos de contemporâneos, Mozart, criança ou adulto, parecia sempre muito propenso a contrair doenças, devido à sua constituição frágil. Mozart recuperou-se em 31 de outubro. Vários convites de nobres para que tocassem em suas casas foram recusados durante o período dessa doença. Somente em 4 de novembro Mozart saiu de casa. Em 19 de novembro os Mozart foram convidados para assistirem ao banquete de aniversário da Arquiduquesa Elisabeth Christina em Hofburg (palácio de inverno dos Habsburgo). Em 8 de dezembro também foram convidados para assistirem ao banquete de aniversário do Imperador Francis I.

Em 31 de dezembro os Mozart deixaram Viena, chegando a Salzburgo em 5 de janeiro de 1763. Assim que chegou à cidade natal, Mozart ficou novamente doente. Desta vez ele estava com febre reumática, e só se recuperou em um mês. Logo após sua recuperação, Mozart e Nannerl tocaram em um concerto em homenagem ao Arcebispo Sigismund von Schrattenbach, o patrão mais bondoso e paciente que Mozart teve em Salzburgo. Nessa época os irmãos Mozart foram retratados com os trajes de gala que a Imperatriz Maria Theresia lhes dera. Os retratos foram feitos por Pietro Antonio Lorenzoni.

Leopold quase não deu descanso aos filhos. Já em 9 de junho de 1763 Leopold pediu licença do seu serviço para o Arcebispo Schrattenbach, e saíram todos em uma imensa e exaustiva viagem cujos principais destinos eram Paris e Londres. O Arcebispo levou sua condescendência a ponto de manter o salário de Leopold e guardar seu cargo até sua volta. Leopold conseguiu adiar tanto a chegada a essas cidades, passando por inúmeras outras menores, que a ida e a volta duraram três anos, cinco meses e vinte e dois dias. O total de cidades visitadas é 83, se somarmos com as que foram visitadas mais de uma vez. Desta vez eles foram com a própria carruagem, porque haviam viajado para Viena em uma carruagem extremamente desconfortável que não era deles. Os Mozart levaram consigo um criado chamado Sebastian Winter.

Na meia-noite do dia seguinte a roda traseira tinha quebrado, e os Mozart tiveram que pernoitar em Wasserburg. De lá, Leopold escreveu para seu amigo e senhorio L. Hagenauer em 21 de junho, quando eles já estavam em Munique (aliás, sabemos de todo o itinerário dessa viagem pelas cartas de Leopold a Hagenauer):

A última notícia é que, indo para o órgão [da Catedral de Wasserburg] para nos divertirmos, eu expliquei a Wolferl o uso dos pedais. Ele imediatamente começou a tentar, empurrou o banquinho para o lado, tocou um prelúdio e pisou nos pedais, e isto, realmente, era como se ele tivesse praticado há muitos meses atrás. Todos ficaram atônitos. Isto é uma nova graça de Deus, tal qual muitos só recebem após muito esforço.

Na manhã do dia 12 de junho os Mozart foram para Munique, chegando à noite. No dia seguinte, em Nymphenburg, Mozart tocou cravo e violino diante do Príncipe-Eleitor Maximilian III Joseph. O concerto durou das 8 às 11 horas da noite e foi tornado possível graças à recomendação do Príncipe Karl August von Zweibrücken, que os Mozart haviam conhecido no mesmo dia.

É de se notar que Mozart havia evoluído tanto no cravo que já superava sua irmã Nannerl. Além disso, o fato de ele ser uma criança e tocar suas próprias composições impressionava mais o público. Por isso sua irmã foi gradativamente se transformando em uma estrela secundária.

Os Mozart participaram de muitos outros eventos de gala em Munique: em 14 e 15 de junho, eles visitaram o Duque Clemens da Baviera, e os irmãos Mozart tocaram em sua presença; em 18 de junho, os Mozart foram espectadores de um jantar de gala no castelo do Príncipe-Eleitor Maximilian III Joseph. No dia seguinte, os irmãos tocaram na Corte.

Em 22 de junho os Mozart deixaram Munique e chegaram na noite daquele mesmo dia a Augsburgo, cidade natal de Leopold. Os irmãos deram três concertos públicos em 28 e 30 de junho e 4 de julho. Leopold comprou um piano de Johann Andreas Stein para que os irmãos pudessem praticar durante a viagem.

Não há notícia de que a mãe de Leopold, Anna Maria Sulzer Mozart, tenha ido assistir a algum dos concertos de seus netos ou visitar seu filho. Especula-se que ela estivesse agastada com Leopold devido ao casamento deste com Anna Maria Pertl. A mãe de Leopold  faleceria 3 anos depois.

Um fato curioso é que antes de chegar às grandes cidades, Leopold costumava mandar uma nota anônima para os jornais, avisando o público sobre os meninos-prodígio que em breve os visitariam, louvando detalhadamente cada uma das habilidades dos dois e tratando-os como fenômenos científicos..

Os Mozart chegaram em 6 de julho em Ulm, passaram por diversas cidades como Ludwigsburg (onde conheceram Pietro Nardini e Niccolò Jommelli), Bruchsal, Schwetzingen (os Mozart se apresentaram no palácio dessa cidade), Mannheim, Worms, Mainz, Frankfurt am Main, Coblenz, Bonn, Colônia, Aachen Liège, Tirlemont, Bruxelas e em 18 de novembro de 1763, às três e meia da tarde, chegaram a Paris. Lá eles se hospedaram na residência do embaixador da Baviera na França, o Conde van Eyck, marido da Condessa Arco, nativa de Salzburgo.

Em Paris, a família recebeu o apoio de Friedrich Melchior von Grimm, que em seu jornal Correspondance Littéraire, e também em outros, fez ostensiva propaganda dos dois pequenos talentos de Salzburgo. A família ficou de 24 de dezembro de 1763 a 8 de janeiro de 1764 em Versailles. Naquela época era comum que os nobres não chamassem as crianças para suas residências antes que o rei os convocasse a Versailles. Eles já haviam passado pela mesma situação em Viena. Finalmente o convite veio em 1º de janeiro de 1764, para que os Mozart estivessem presentes em um jantar da corte francesa. Segundo Leopold, e para o espanto de toda a corte, os Mozart foram cumulados de atenção por Louis XV e sua esposa polonesa, a Rainha Marie Leszczynska, pelo Delfim Louis e sua esposa Maria Josepha da Saxônia, por Madame Adélaïde, filha do casal real e por Madame Adrienne-Catherine de Tessé, dama-de-companhia da Delfina. A famosa Marquesa de Pompadour, porém, os teria tratado orgulhosamente. As duas crianças agradaram aos franceses em geral, e receberam presentes de muitos deles. Mozart tocou o órgão da capela real recebendo a aprovação de todos.

Quando os Mozart retornaram a Paris, receberam diversos convites para que tocassem nas residências dos nobres franceses.

No meio de fevereiro, porém, Mozart ficou doente, com amidalite, adiando os convites. No mês seguinte, Mozart dedicou sua primeira obra publicada - as Sonatas para Cravo e Violino K.6 e K.7, em dó maior e ré maior, respectivamente -, à Madame Victoire da França, filha do Rei Louis XV. A dedicatória foi redigida pelo Barão Grimm.

Em 10 de março de 1764 Mozart e Nannerl deram seu primeiro concerto em Paris, no teatro particular de M. Félix. Foi um grande sucesso, que rendeu 112 luíses de ouro. Em abril foram publicadas as sonatas as Sonatas para Cravo e Violino K.8 e K.9, em Si bemol Maior e Sol Maior, dedicadas à Condessa de Tessé, dama-de-companhia da Delfina Maria Josepha da Saxônia. As duas sonatas foram publicadas como Opus II. A dedicatória também foi escrita por Grimm. Em 9 de abril os Mozart deram mais um concerto no teatro de M. Félix, do qual também participaram o violinista Pierre Gavinès e a soprano Clementine Picinelli.

No dia seguinte a família deixou Paris em direção a Londres, via Calais, chegando no dia 23. Eles se hospedaram no albergue Urso Branco, e no dia seguinte passaram a morar com um barbeiro, John Couzin, em Cecil Court, St. Matin's Lane (atual n.19).

Londres era uma cidade cheia de riqueza, não só composta de nobres, mas também de prósperos comerciantes. A cidade era proeminentemente musical, graças ao apoio que o Rei George III e a Rainha Sophia Charlotte davam à música. Handel (falecido em 1759) e J. C. Bach (professor de música da Rainha) eram grandes nomes e suas músicas eram muito apreciadas. Uma das áreas que mais recebiam investimento, e que mais agradava o público naquele momento era a ópera italiana, pela qual Mozart cada vez mais se interessaria, e na qual então brilhava o castrato Giovanni Manzuoli, que viria a ser um bom amigo dos Mozart, inclusive dando aulas de canto ao pequeno compositor..

No dia 27 os Mozart foram recebidos pelo Rei George III e pela Rainha Sophia Charlotte, diante dos quais tocaram das 6 às 9 da noite, recebendo 24 guinéus pela apresentação. Em 19 de maio eles tocaram novamente em St. James, recebendo  novamente 24 guinéus. George III deu a Mozart peças de Johann Christian Bach, Handel, Wagenseil e Carl Friedrich Abel para que ele as tocasse de primeira vista, tocou órgão, e acompanhou ao cravo a Rainha em uma ária, também tocada a primeira vista. O Rei e a Rainha ficaram encantados com os Mozart, e esta boa circunstância tornou os concertos públicos dos Mozart no final de maio e no início de junho grandes sucessos. Segundo Leopold, "Todas as cortes até hoje nos receberam com extraordinária cortesia, mas as boas vindas que recebemos aqui excede a todas as outras." Notas em jornais londrinos (certamente escritas por Leopold) fazem uma propaganda ainda mais sensacionalista dos dois prodígios do que as de outras cidades.

Graças ao fato de a família Mozart estar nas boas graças da família real, o concerto público dos Mozart no dia 5 de junho fosse um estrondoso sucesso. Segundo Leopold, ele recebeu 100 guinéus nessas três horas de concerto, além do que mais de 200 pessoas estavam presentes, incluindo as principais famílias de Londres. Depois do concerto Leopold fez com que Mozart ficasse à disposição de quantos quisessem vê-lo de perto em sua residência no Soho, do meio-dia às duas da tarde.

A maior vantagem que Mozart tirou dessa visita a Londres foi o fato de ter conhecido o compositor Johann Christian Bach, que influenciaria profundamente suas obras posteriores. Há um relato de que o Bach inglês teria colocado Mozart no colo ao cravo, e eles improvisaram alternadamente durante horas a fio, de modo que parecia aos ouvintes que era apenas uma pessoa que tocava.

Em 25 de outubro de 1764 os Mozart foram novamente recebidos em St. James. 

Mas nem tudo foram flores na Inglaterra. Leopold pegou um resfriado no verão, e para que não se desenvolvesse para a tísica, o que era comum, eles se mudaram para o então calmo e retirado subúrbio de Chelsea. Segundo as memórias de Nannerl, o médico havia proibido expressamente que os meninos tocassem cravo para não incomodar Leopold, e para se distrair, Mozart começou a escrever sua primeira sinfonia, "no estilo de Bach", sendo sua irmã a copista. Essa sinfonia é, segundo se supõe, a Sinfonia N.1 em Mi bemol Maior K.16.

Para piorar a situação, começaram a correr rumores de que Mozart era na verdade mais velho do que se dizia, devido ao talento que parecia tão extraordinário em uma criança de apenas 8 anos. Para tirar essa dúvida a limpo, o advogado, músico e historiador Daines Barrington, membro da Royal Society, visitou Mozart e o testou e observou seu comportamento. Satisfeito com o resultado, que provava que Mozart tinha realmente cerca de 8 anos, apresentou sua tese à Royal Society em 1770.

Porém a atenção dos ingleses pelos Mozart começou a cair, segundo Leopold relatou em março de 1765. As crianças provavelmente não foram mais convidadas para tocar em Buckingham. A Rainha, porém, havia respondido generosamente, com uma soma de 50 guinéus, às Sonatas para violino ou flauta com violoncelo obbligato K.10-15, publicados como opus 3, dedicadas a ela.

Antes que a sorte virasse para eles, os Mozart deixaram Londres em 24 de julho, chegando a Lille mais ou menos no dia 5 de agosto. Durante a estada de 1 mês na cidade, Mozart e Leopold adoeceram de amidalite. A família deixou a cidade em 4 de setembro, chegando a Haia no dia 9 às 7 da noite. Três dias depois Nannerl adoeceu de febre tifóide intestinal, sendo impedida de tocar nos concertos do mesmo dia e do dia 18 na residência da Princesa Caroline von Nassau Weilburg, irmã do Príncipe Wilhelm V de Orange. Mozart também tocou na residência do Príncipe em uma data desconhecida.

Nannerl piorava a cada dia, chegando a receber a extrema-unção em 21 de outubro, mas foi recuperando-se gradualmente. Então, 1 semana após a recuperação de Nannerl, Mozart teve a mesma febre, ficando em risco de vida por durante cerca de 2 meses. Foi certamente um período bastante aflitivo para os Mozart.

Depois da recuperação, as crianças deram vários concertos na em Haia e depois em Amsterdã, nos quais talvez tenha sido executada a Sinfonia N.5 em si bemol maior K.22. Os Mozart voltaram a Haia no início de março de 1766, época em que o Príncipe Wilhelm V de Orange atingia a maioridade e era proclamado Stadholder. Os festejos duraram de 7 a 12 de março. Em 11 de março os Mozart tocaram diante da Corte. Provavelmente tenham sido executados a Galimathias Musicum K.32 e as variações K.24 e K.25. No final de março a família deixou Haia. Joannes Enschedé presenteou Leopold Mozart com uma elegante edição holandesa do Violonschule. Os Mozart deram novamente um concerto em Amsterdã, no Salão da Escola de Equitação em 16 de abril. Nessa época foram publicadas as Sonatas para cravo e violino K.26-31, dedicadas à Princesa Caroline von Nassau-Weilburg.

Em 18 de abril a família deixou Amsterdã. Em 21 de abril os Mozart deram um concerto no Vreeburg de Utrecht. No final do mês a família deixou Utrecht e partiram para Paris via Moerdjik, Antuérpia e Malines. Em Antuérpia eles deram um concerto no dia 30. A família passou por Bruxelas e por Valenciennes em 8 e 9 de maio, chegando a Paris no dia 10.

Pouco se sabe sobre essa segunda visita à França senão que eles ficaram em Versailles de 28 de maio a 1º de junho, e que deixaram Paris em 9 de julho. Além disso o Barão Grimm escreveu mais um artigo em seu Correspondance Litteráire, exaltando o talento dos Mozart:

Mlle Mozart, que agora tem 13 anos [na verdade 15], e está ainda mais bela, toca cravo muito melhor e mais brilhantemente do que possamos imaginar; apenas seu irmão é capaz de lhe tomar os aplausos. Esse notável rapaz tem agora 9 anos [na verdade 10]; fisicamente não cresceu bastante, mas musicalmente progrediu extraordinariamente.

 Data dessa época o retrato a óleo da Festa do Chá no Salão de Desenhos do Príncipe de Conti, onde Mozart aparece ao cravo tocando com outros instrumentistas. Sabemos também que Mozart participou de algumas competições com músicos de renome na França, derrotando a todos.

Nessa última viagem de volta os Mozart passaram em muitas cidades, tocando em diversas delas. Em Munique Mozart adoeceu novamente com um novo ataque de febre reumática. A família chegou a Salzburgo em 29 de novembro de 1766.

O principal resultado dessa jornada, além do dinheiro ganho e da transformação da família Mozart em mito, foi o extraordinário desenvolvimento musical de Mozart em relação ao que ele era quando saiu de Salzburgo em 1763, e as irremediáveis seqüelas na saúde do compositor.

Em Salzburgo, Mozart fez consideráveis progressos em seu caminho à ópera: compôs a primeira parte de Die Schuldigkeit des ersten Gebots K.35, algumas árias de concerto e Apollo et Hyacinthus K.38.

Os Mozart tiveram apenas 10 meses de descanso em Salzburgo. Em 11 de setembro de 1767 partiram em direção a Viena, pondo mais uma vez à prova a grande paciência do Arcebispo Schrattenbach. Eles chegaram à capital austríaca no dia 15. O motivo dessa viagem era a esperança que Leopold tinha de que seus filhos fossem convidados para tocar nas festividades do casamento do Rei Ferdinand IV de Nápoles e Sicília com a Arquiduquesa Maria Josepha Gabriella, filha da Imperatriz Maria Theresia. Tudo foi baldado quando uma grande epidemia de varíola assolou Viena fazendo muitas vítimas fatais, entre elas a própria Arquiduquesa e a segunda esposa de Joseph II, Maria Josepha. Os Mozart fugiram para Brno (Brünn), tentando escapar da doença, mas foi tarde. Mozart e Nannerl também contraíram varíola, só que de forma mais branda. Poucos dias depois foram para Olomuc (Olmütz), recuperando-se totalmente e retornando a uma Viena triste e gélida no inverno de 1768. Tudo parecia muito ruim para os Mozart, nessa viagem que basicamente seria um fracasso. Mozart ao menos pôde entrar em contato com as novidades musicais, desconhecidas em Salzburgo, progredindo ainda mais como compositor.

Salzburgo

 

 

Maximilian III Joseph

 

Wolfgang Amadeus Mozart

 

Maria Anna Mozart

 

Entrada para o Castelo de Schönbrunn, Viena

 

Imperador Francis I Stephen

With the kind permission of Brigitte Gastel Lloyd

 

Imperatriz Maria Theresia

With kind permission of Museen der Stadt Wien

 

Arquiduquesa Marie Antoinette (Maria Antonia)

With kind permission of Museen der Stadt Wien

 

Imperador Joseph II

 

Maria Theresia e sua família

 

Christoph Willibald Gluck

 

Leopold, Mozart e Nannerl

 

Rei Louis XV da França

With the kind permission of Brigitte Gastel Lloyd

 

Rainha Marie Leszczynska da França

With the kind permission of Brigitte Gastel Lloyd

 

Sonatas K.6 e K.7 dedicadas à Madame Victoire de France

 

Giovanni Manzuoli

 

Johann Christian Bach

 

Wolfgang Amadeus Mozart no Salão do Príncipe de Conti

 

Arquiduquesa Maria Josepha Gabriella

With the kind permission of Brigitte Gastel Lloyd

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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