Maria Wilhelmine Uhfeld, Condessa Thun-Hohenstein (1744-1800)


Maria Wilhelmine Uhfeld nasceu em Viena em 12 de junho de 1744, filha do Conde Anton Corfiz Uhfeld (1699-1770) e sua segunda esposa Maria Elisabeth, nascida Princesa Lobkowitz (1726-1786). O Conde Uhfeld fora Ministro de Negócios Estrangeiros em 1742 e  Primeiro Ministro em 1745.

Em 30 de julho de 1761, Maria Wilhelmine casou com Franz Joseph Anton, Conde Thun-Hohenstein (1734-1801), filho de Johann Joseph Anton, Conde Thun-Hohenstein (1711-1788), que seria protetor de Mozart, e sua primeira esposa Maria Christina, nascida Princesa Hohenzollern-Hechingen.

A Condessa teve seis filhos, sendo que quatro chegaram à idade adulta: Maria Elisabeth (1764-1806), Maria Christiane (1765-1841), Joseph Johann (1767-1810) e Maria Karolina (1769-1800).

O casal Thun provavelmente conheceu os Mozart já em 1782, quando Mozart e sua irmã Nannerl tocaram na residência do Conde Uhfeld em Viena, 1762. Quando Mozart chegou a Viena em março de 1781, encontrou na Condessa Thun uma de suas mais influentes protetoras. Naquele mês, segundo carta de Mozart a seu pai Leopold, "eu já almocei duas vezes com a Condessa Thun e a visito quase diariamente. Ela é a dama mais encantadora que já conheci em toda a minha vida, e ela também tem uma ótima opinião de mim. Seu marido é ainda aquele mesmo cavalheiro peculiar, embora decente e honrado."

Maria Wilhelmine organizava concertos em sua residência, freqüentados mesmo pelo Imperador Joseph II, tornando-se um dos centros mais importantes da vida social e cultural de Viena. Georg Foster, escritor alemão, descreveu os eventos da residência Thun-Hohenstein, "Quase todas as noites, das 9 às 10 horas, essas pessoas se encontram na residência da Condessa Thun. Há muita conversação espirituosa, recitais de piano, de canto em alemão e italiano, e, se eles estão suficientemente animados, há dança." Mozart ficou quase deseperado por não ter podido tocar num desses saraus, pouco depois de chegar a Viena, pois o Imperador Joseph II estava presente. Seu patrão na época, o Príncipe-Arcebispo Colloredo de Salzburgo, o havia escalado para tocar com seus músicos de Salzburgo naquele mesmo dia.

Mozart contava com a influência da Condessa Thun para se estabelecer em Viena; ele tocou para ela sua ópera Idomeneo K.366 ao piano em maio, daquele ano em presença do Conde Orsini-Rosenberg. Em dezembro ela emprestou seu piano para a competição entre o compositor e Muzio Clementi diante do Imperador; e durante a composição de Die Entführung aus dem Serail K.384, Mozart tocou os atos da ópera para a Condessa à medida que os concluía. "O senhor não imagina os esforços que a Condessa Thun, o Barão van Swieten e outras pessoas importantes estão fazendo para me manter aqui", escreveu Mozart ao pai em 17 de agosto de 1782. Em 14 de dezembro daquele ano, Mozart tocou novamente na residência de Maria Wilhelmine.

Em 1784, a Condessa foi uma das muitas assinantes dos concertos de Mozart em Trattnerhof, juntamente com sua irmã, Maria Anna Elisabeth, Condessa Waldstein (1743-1791). Acredita-se que a indicação de Mozart ao cargo de músico de câmara da corte pode ter sido devida à influência da Condessa junto ao Imperador Joseph II.

Segundo Charles Burney, a Condessa era "A dama de alta sociedade mais agradável e talentosa, que, dentre suas muitas qualidades, possui o dom da música do que qualquer outra pessoa de alto nascimento [...]. Ela é alegre, vivaz e caridosa, e todos parecem amá-la como a uma irmã querida."

Maria Wilhelmine faleceu em Viena, 18 de maio de 1800.


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