Dorothea Sardi Bussani (1763-a.1810)


Filha de Karl von Sardi, professor da Academia Militar de Viena, Dorothea Sardi nasceu em Viena em 1763.

 

Ela casou com Francesco Bussani em 20 de março de 1786 e estreou no Burgtheater como Cherubino em Le nozze di Figaro K.492. Descobriu-se uma versão simplificada da ária "Non sò più cosa son, cosa faccio" para voz, violino e piano, o violino dobrando a voz. Acredita-se que Mozart tenha escrito essa versão para que a inexperiente Dorothea aprendesse a difícil ária de Cherubino.

 

Entre 1786 e 1793, ela cantou nos seguintes papéis: Ghita em Una cosa rara de Martín y Soler (17 de novembro de 1786); Corina em L'inganno amoroso de Guglielmi (9 de abril de 1787); Sandrina em I due baroni de Cimarosa (6 de setembro de 1789); Despina em Così fan tutte K.588 de Mozart (26 de janeiro de 1790); Belisa em Il rè Teodoro in Venezia de Paisiello (19 de abril de 1790) e Fidalma em Il matrimonio segreto de Cimarosa (7 de fevereiro de 1792); além de Carolina na reapresentação de Il talismano de Salieri.

 

O sucesso de Dorothea em Viena, assim como o do marido, era mediano. Zinzendorf escreveu em seu diário que Dorothea no papel de Carolina em Il talismano de Salieri era "muitíssimo inferior" a Luisa Laschi Mombelli no mesmo papel. Zinzendorf, porém, escreveu em 6 de setembro de 1789 a respeito da ópera I due baroni de Cimarosa:  "Em meu retorno à cidade fui à Ópera. I due baroni. Uma ópera ruim. La Bussani é bonita [...]." O libretista Lorenzo da Ponte mencionou sarcasticamente em suas memórias uma "mulher italiana", identificada pelos historiadores como Dorothea, que, apesar de seu pouco talento conseguira com suas caretas e palhaçadas ganhar o aplauso de cozinheiros, criados e cabeleireiros.

 

Afinal os Bussani não renovaram seus contratos para a temporada de 1794 e partiram, após um concerto de despedida em 9 de março, para a Itália. Eles retornaram a Viena por três meses em 1796, mas novamente não fizeram muito sucesso. Dorothea cantou em Lisboa entre 1807 e 1809, e depois no King's Theatre em Londres. W. T. Parke escreveu em seu Musical Memories (1830) que apesar de ela ainda ter "bastante voz", sua personalidade e idade não eram o suficiente para fascinar o público inglês.

 

Não se sabe ao certo a data e local de sua morte, apenas que ela ocorreu após 1810.


Parentes e amigos

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