Diário do Conde Zinzendorf


TRADUÇÃO: CAMILA ARGOLO


DIÁRIO DO CONDE ZINZENDORF [1739-1813 - Diário: 1762-1804]

 

9 de outubro de 1762

[...] À noite, às 8 horas, eu fui para a casa de Lamberg, e de lá fomos juntos para a casa de Colalto, onde la Bianchi cantou e um garotinho, que dizem que tem cinco anos e meio de idade, tocou cravo [...].

 

14 de outubro de 1762

[...]  Na casa da Princesa Trautson eu vi Mme de Martinitz, amiga da falecida Mme de Dünewald. Falei com Nuncio sobre a ópera [Orfeo ed Euridice, de Gluck]. Ele é muito crítico com o poema. Também sobre o garotinho que tocou ontem em Schönbrunn e hoje na casa de Uhfeld [...].

 

17 de outubro de 1762

[...] Então fui à casa de Thurn, onde o garotinho de Salzburgo e sua irmã tocaram cravo. O pobre rapazinho toca maravilhosamente, ele é uma criança espirituosa, viva, encantadora, e sua irmã tocou magistralmente, e ele a aplaudiu. Mlle de Gudenus, que toca bem o cravo, deu-lhe um beijo, e ele enxugou o rosto [...].

 

9 de novembro de 1762

Fui à casa Windischgraetz de M. de Pacheco, perto de Schwarze Thor. O pequeno salzburguês tocou, Nicolini cantou admiravelmente [...].

 

30 de junho de 1782

[...] Hoje à noite no teatro deu-se Die Entführung aus dem Serail, uma ópera cuja música é surrupiada de várias outras óperas. Fischer atuou bem. Adam Berger é uma estátua [...].

 

5 de dezembro de 1782

Eu fiquei [na casa da Condessa von Pergen] até as 9 horas da noite, sendo incapaz de sair por causa da chegada do Imperador [Joseph II], que falou infinitamente acerca da música e da disputa entre Mozhard [Mozart] e Clementi.

 

14 de dezembro de 1782

Estive à noite na casa de Mme von Thun, onde Mozhard tocou.

 

23 de março de 1785

[...] Então fui à casa de Ployer, onde ouvi sua filha tocar o cravo admiravelmente [provavelmente o Concerto em Mi bemol Maior K.449] [...].

 

30 de novembro de 1785

[...] Fui ao teatro. La villanella rapita. O espetáculo foi alegre, a música contém algumas peças de Moshart [...]. O dueto foi repetido.

 

16 de dezembro de 1785

[...] Fui ao teatro [...]. La vilanella rapita. O quarteto é muito bom.

 

7 de fevereiro de 1786

Cheguei a Schönbrunn. Esse Orangerie [...] estava muito melhor decorado do que no ano passado [...]. Nós fomos ouvir uma comédia alemã intitulada Der Schauspiel Director, no qual la Sacco e Lang interpretaram uma parte de Bianca Capello, la Adam Berger e Weidmann uma parte de Die galante Bäurin. La Cavalieri e la Lang cantaram. O todo foi muito medíocre. Logo após passamos para o outro extremo do salão onde Benucci, Mandini, la Storace e la Coltellini cantaram uma pequena peça, Prima la musica e poi le parole, na qual la Storace fez uma perfeita imitação de Marchesi cantando árias de Giulio Sabino [...].

 

13 de março de 1786

[...] Às dez horas eu visitei Louise, que retornava da ópera Idomenée [Idomeneo, rè di Creta] na casa do Príncipe Auersperg.

 

1 de maio de 1786

[...] Às sete horas fui à ópera Le Nozze di Figaro, poesia de da Ponte, música de Mozhardt. Louise estava em nosso camarote, a ópera me entediou [...].

 

4 de julho de 1786

[...] Fui à Ópera, Le Nozze di Figaro. A música de Mozart é singular, sem pé nem cabeça [...].

 

19 de outubro de 1787

[...] À noite fui à ópera L´arbore di Diana [...] O assunto não é de maneira nenhuma apropriado para uma mulher recém-casada. Em Praga deu-se também Le Nozze di Figaro, que também não é apropriado.

 

10 de fevereiro de 1788

[...] Então fui à casa do embaixador veneziano, onde havia muita gente. Um concerto onde Mandini e la Morichelli cantaram, Mozart e uma certa Muller, a filha de um sapateiro, tocaram, um ao pianoforte, outro à harpa.

 

7 de maio de 1788

[...] Fui à Ópera. Don Giovanni. A música de Mozart é agradável e muito variada.

 

12 de maio de 1788

[...] Fui à Ópera. Don Giovanni. Mme de la Lippe acha a música excessivamente erudita, pouco apropriada para a voz.

 

16 de junho de 1788

[...] Então fui à ópera Don Giovanni, informal. Taeuber [Theresia Teyber] ficou com a parte de Mombelli.

 

23 de junho de 1788

[...] À noite fiquei muito entediado com a ópera Don Giovanni.

 

21 de julho de 1788

[...] À noite fui ao Prater, e depois a Don Giovanni.

 

24 de outubro de 1788

[...] Então fui ao teatro. Don Giovanni, informal, la Laschi não estava cantando.

 

30 de dezembro de 1788

[...] À noite fui a um concerto na casa de Jean Esztherh[ázy]; regido pelo Barão, Acis et Galatée de Hendel [Handel].

 

7 de abril de 1789

[...] Antes das 7 da noite fui ao concerto na casa de Jean Eszterhasy. Der Messias, música de Haendel. Eu a achei um pouco tediosa, apesar de a música ser muito bonita.

 

31 de agosto de 1789

[...] Fui à Ópera. Le nozze di Figaro. Um dueto encantador de la Cavalieri e la Ferraresi.

 

6 de setembro de 1789

[...] Em meu retorno à cidade fui à Ópera. I due baroni. Uma ópera ruim. La Bussani é bonita [...].

[Nessa ópera de Cimarosi, Louise Villeneuve cantou uma ária adicional de Mozart, Alma grande e nobil core K.578]

 

26 de janeiro de 1790

[...] Antes das 7 da noite fui à nova ópera. Cosi fan tutte, osia la Scuola degli Amanti. A música de Mozart é encantadora, e o assunto muito divertido.

 

1 de maio de 1790

[...] Fui ao teatro. Fonte de melancolia. Le Nozze di Figaro.

 

1 de setembro de 1791 [Praga]

[...] Fui com o Marechal Lascy e Christian Sternberg para a casa do Príncipe Rosenberg [...]. Música de Don Juan [...].

 

6 de setembro de 1791 [Praga]

[...] Às 5 da tarde fui ao teatro na cidade velha [...]. A Corte não chegou senão depois de ter passado das 7:30, e nós fomos regalados com o mais tedioso espetáculo, La Clemenza di Tito [...] La Marchetti canta muito bem, o Imperador está extasiado com ela.

 

6 de novembro de 1791

[...] Às 6:30 da noite fui para o teatro de Starhemberg no subúrbio de Viena, no camarote de M. e Mme d'Auersperg, para ouvir a vigésima quarta apresentação de Die Zauberflöte. A música e os cenários são bonitos, o resto é uma incrível farsa. Um imenso público.

 

5 de dezembro de 1791

[...] Tempo ameno. Chuvisco três ou quatro vezes por algum tempo.

[Este relato desmente o mito de que nevava no dia da morte de Mozart]

 

19 de fevereiro de 1793

[...] Jantei [...] na casa do Príncipe Schwarzenberg [...] após o jantar bela música de Mozart. Die Zauberflöte.

 

16 de fevereiro de 1794

[...] Jantei na casa do Príncipe Schwarzenberg [...] Bela música de Die Zauberflöte.

 

30 de março de 1795

[...] Mme Mozart pediu-me para ir ao seu concerto amanhã.

 

31 de março de 1795

[...] À noite fui ao concerto da viúva Mozart, eles apresentaram um oratório La Clemenza di Tito.

 

5 de abril de 1795

[...] Fui ao concerto de Haendel, Der Messias, na casa do Príncipe de Paar.

 

9 de abril de 1795

[...] Antes das seis e meia fui para a casa de Stockhammer para ouvir uma comédia alemã de um certo Steinsberger [...], intitulada Menschen und Menschen Situationen. Havia  catorze atores [...], Mme Mozart [...].

 

24 de março de 1797

[...] À noite, após as 6 horas fui à casa de Schwarzenberg, onde houve um concerto de Haendel: Acis et Galathée. A música é encantadora: texto de Dryden traduzido por Alxinger. Mlle Gerhardi, Splangler; um cantor desconhecido fez a parte de Damon. Grande quantidade de pessoas.

 

23 de março de 1799

[...] À noite, após as 6 horas, fui à casa do Príncipe Schwarzenberg para o concerto de Haendel, Der Messias.

 

20 de abril de 1804

[...] Às seis e meia da noite fui ao teatro. La Clemenza di Tito. Algumas das árias de Metastasio omitidas, música de Mayer e Weigel misturada com a de Mozhart.


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