Gallimathias Musicum K.32/100a - Histórico


HISTÓRICO | MÚSICA


LOCAL DE DATA DE COMPOSIÇÃO: HAIA, MARÇO DE 1766

INSTRUMENTAÇÃO: 2 OBOÉS, 2 TROMPAS, [FAGOTE], CORDAS, CRAVO OBBLIGATO


Durante a "Grande Viagem" dos Mozart pela Europa, os Mozart passaram mais de um ano em Londres. Lá, eles foram convidados pelo Embaixador da Holanda para que se apresentassem em seu país. A princípio Leopold Mozart informou seu correspondente e senhorio Lorenz Hagenauer em Salzburgo que não o faria, pois seu plano era retornar via Paris, Milão e Veneza, escrevendo: "O Embaixador da Holanda em Londres implorou várias vezes que fôssemos visitar o Príncipe de Orange [Willem V de Orange, 1748-1806] em Haia, mas isso entra por um ouvido e sai pelo outro."

Porém, em julho de 1765, "no mesmo dia de nossa partida, o Embaixador da Holanda foi nos visitar e soube que tínhamos ido a Canterbury para as corridas e então deixaríamos a Inglaterra imediatamente. Ele na mesma hora apareceu em Canterbury e implorou-me a todo custo que fosse a Haia, já que a Princesa de Weilburg [Caroline von Nassau-Weilburg], irmã do Príncipe de Orange, estava extremamente ansiosa para conhecer a criança, de quem ela tanto havia lido e ouvido falar. Em resumo, ele e todos os outros insistiram tanto e a proposta era tão atraente que decidi ir." Os Mozart chegaram à Holanda em setembro de 1765.

Aquela ocasião parecia tentadora, pois o Príncipe Willem V de Orange atingiria em breve a maioridade, assumindo o título de Statthalter em 8 de março. Haveria muitas festividades de 7 a 12 de março, e os Mozart seriam convidados oficiais da corte e dariam concertos em algumas cidades. Leopold porém só considerou essa visita uma boa idéia por causa desse momento especial:  Leopold tinha uma fraca opinião da música nesse país. Treze anos depois ele escreveu ao filho que nenhum cantor que construísse sua reputação na Holanda seria reconhecido no resto da Europa.

Ainda assim, o Príncipe Willem V de Orange era bastante musical, tendo sido educado nessa área com apoio de sua mãe, a Princesa Anne da Inglaterra, que por sua vez havia sido aluna e protetora de Handel.

Em 16 de maio Leopold escreveu a Hagenauer que Mozart havia sido convidado para compor seis sonatas para cravo e violino (K.26-31), algumas árias e "algo para o concerto do príncipe", uma possível referência à Gallimathias Musicum. Essa obra, iniciada em Amsterdã e concluída em Haia, é um quodlibet, ou uma miscelânea de canções, algumas populares em Salzburgo, outras na Holanda.

A data de estréia mais bem aceita dessa obra é 11 de março, segundo nos informa Leopold Mozart em sua carta de 16 de maio. Porém não há referência ao quodlibet nas descrições oficiais dos festejos, nem menção a um concerto nesse dia; o Príncipe foi à Ópera à noite. Houve porém, Tafelmusik, ou música de fundo para refeições, do compositor J. J. Muller. Presume-se que K.32/100a tenha sido executada juntamente com a Tafelmusik.

A estada dos Mozart na Holanda prolongou-se devido em parte à boa recepção dos holandeses aos jovens músicos, como também pelas sérias doenças enfrentadas pelas crianças. Elas contraíram tifo intestinal, correndo sério risco de vida; Nannerl recebeu mesmo a extrema-unção em 21 de novembro, mas recuperou-se gradualmente.

Os Mozart retornaram a Salzburgo via Paris, deixando a Holanda em abril de 1766.

 

Wolfgang Amadeus Mozart e Maria Anna Mozart

 

Leopold Mozart

 

Lorenz Hagenauer

 

Princesa Anna da Inglaterra


Serenatas e divertimentos

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