Concerto para piano N.20 em Ré menor K.466 - Histórico


HISTÓRICO | GRAVAÇÕES E PARTITURAS

LOCAL DE DATA DE COMPOSIÇÃO: VIENA, 10 DE FEVEREIRO DE 1785

INSTRUMENTAÇÃO: PIANO SOLO, FLAUTA, 2 OBOÉS, 2 FAGOTES, 2 TROMPAS, 2 TROMPETES, TÍMPANOS, CORDAS

MOVIMENTOS: ALLEGRO - ROMANCE - RONDO [ALLEGRO ASSAI]


Mozart registrou esse magnífico concerto em seu catálogo no mesmo dia em que seu pai Leopold Mozart chegava a Viena para passar alguns dias com seu filho, sua nora Constanze e seu pequeno neto Carl Thomas.

Leopold testemunhou a intensa atividade musical do filho, que, embora ainda sem nenhum cargo fixo, era querido e estimado pelo público vienense. Em carta a sua filha Nannerl (agora casada com Johann Baptist Franz von Berchtold zu Sonnenburg e vivendo em St. Gilgen), "Nós chegamos à uma hora [...]. O copista ainda estava copiando [K.466] quando chegamos, e seu irmão sequer tinha tido tempo de tocar todo e rondó, pois precisava supervisionar o copista [...]. Na mesma noite fomos ao primeiro de seus concertos por assinatura, ao qual muitos membros da aristocracia se fizera, presentes. Cada pessoa paga um souverain d'or ou três ducados por esses concertos de quaresma. Seu irmão está dando esses concertos no Mehlgrube e paga apenas meio souverain d'or pelo salão. O concerto foi magnífico e a orquestra tocou esplendidamente. Além das sinfonias, uma cantora do teatro italiano cantou duas árias. Então ouvimos [o] novo e ótimo concerto."

Para que a orquestra pudesse tocar esse concerto tão bem, era necessária uma qualidade revolucionária na época, e que Mozart tanto admirou na Orquestra de Mannheim: o contraste expressivo da dinâmica. Mozart utilizou magistralmemte esse recurso, provando que assimilara o melhor do Sturm und Drang, que para ele foi mais do que uma fase. Vale notar que outros compositores, como Joseph Haydn, já haviam abandonado o movimento, enquanto Mozart dava passos certeiros em direção ao romantismo, embora nunca tenha sido romântico.

Talvez o mais profético dos seus concertos para piano, esse foi um favorito do século XIX. Beethoven e Franz Xaver Mozart (filho mais novo de Mozart) o tocaram em diversas ocasiões, e ambos escreveram cadenzas. Mozart, por sua vez, não deixou nenhuma, primeiro porque talvez não tenha tido tempo de escrevê-las; segundo por causa de seu famoso costume de raramente escrever seus solos, tocando-os de memória ou improvisando-os.

 

 

 

Wolfgang Amadeus Mozart e Nannerl Mozart

 

Leopold Mozart

 

Constanze Mozart


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