Giovanni Manzuoli (c.1725-1782)


Giovanni Manzuoli, soprano castrato, nasceu em Florença. Fez carreira em diversos teatros italianos, destacando-se a temporada de 1748 em Milão, quando recebeu o salário de 11.250 libras milanesas. Foi contratado pelo famoso castrato Farinelli para se apresentar em Madri, onde residiu até 1753, recebendo 16.000 ducados por ano. Em 1755 Manzuoli, conhecido também como "Succinoccioli", retornou á Itália por pouco tempo. Nesse mesmo ano, em 31 de março, ele foi convidado, entre outros cantores, para cantar na ópera Alessandro nell'Indie, de David Perez, na inauguração do Teatro de los Paços Ribeira, em Lisboa, Portugal.

 

Nessa época ele já era considerado o castrato mais ilustre de seu tempo, embora talvez por falta de rivais de qualidade.

 

Ele se apresentou em  Milão com muito sucesso nos anos de 1759, 1762, 1766 e 1769. No início da década de 1760, Manzuoli era o cantor mais aclamado de Viena após cantar na ópera Acide al Bivio, de Hasse. Manzuoli também estreou as óperas Issipile de Giuseppe Scarlatti (25 de novembro de 1760) e Armida, de Tommaso Traetta (3 de janeiro de 1761).

 

Em 1763 Manzuoli cantou em Bolonha, como Horatz em Il trionfo di Clelia, de Gluck, no Teatro Communale. Ele se apresentou em 1764-5 no King's Theatre de Londres, onde fez muito sucesso estreando no pasticcio Ezio. Manzuoli também interpretou Farnaspe em Adriano in Siria de J. C. Bach em 26 de janeiro de 1765. Ferdinando Tenducci, o secondo uomo, cantou no papel de Adriano.

 

Foi em Londres que Manzuoli conheceu os Mozart e com os quais manteve um contato amigável. O cantor deu ao pequeno Mozart algumas aulas de canto.

 

Em 1767, em Florença, Giovanni Manzuoli cantou no papel de Megacle em L'Olimpiade de T. Traetta, com Anna Lucia de Amicis como Aristea e Anton Raaff como Clistene. Os Mozart e Manzuoli encontraram-se novamente naquela cidade, 1770, e mais tarde em Milão em 1771, época em que o cantor havia sido contratado pela corte e iria, assim como Mozart, participar dos festejos de noivado e casamento do  Arquiduque Ferdinand da Áustria (filho de Maria Theresia) com a Princesa Maria Beatrice Ricciarda. Manzuoli cantou na ópera Il Ruggiero de Hasse, e na festa teatrale Ascanio in Alba K.111, de Mozart, no papel-título. Manzuoli já estava aposentado nessa época, mas foi bastante aclamado e bisou uma de suas árias na terceira reapresentação de Ascanio in Alba.

 

Após os eventos, aconteceu uma disputa curiosa. No contrato de Manzuoli constava que ele receberia 500 cigliati por sua apresentação na ópera, sem mencionar Ascanio in Alba. Ele, portanto, exigiu mais 500 cigliati por sua participação na festa teatrale. Ele recebeu, porém, 700 cigliati. Indignado, devolveu tudo à corte e partiu imediatamente de Milão. "Como um verdadeiro castrato", como comentou Mozart à sua irmã em carta de 23 ou 24 de novembro de 1771.

 

De acordo com Charles Burney, historiador e crítico contemporâneo de Mozart, "Manz[u]oli possuia a mais volumosa e poderosa voz de soprano desde a era de Farinelli; sua maneira de cantar era grandiosa e cheia de bom gosto e dignidade [...]." Já em Florença, 1770, Burney escreveu que sua voz "parecia menos poderosa [...] do que quando ele estava na Inglaterra."

 

Manzuoli, que já estava aposentado quando foi contratado para Il Ruggiero e Ascanio in Alba, afastou-se completamente dos palcos e foi morar numa propriedade nos arredores de Florença, e nessa época teria dito ao tenor irlandês Michael Kelly (que seria o primeiro Basilio e Don Curzio em Le Nozze di Figaro K.492) que os londrinos o admiravam tanto em óperas como em concertos, e manifestou sua afeição pela Inglaterra. Nos últimos anos de sua vida dedicou-se ao ensino de canto, e era muito amado por seus alunos.

 

Manzuoli faleceu em Florença em 1782, tendo sido um dos melhores e mais famosos castrati de sua geração.


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