Stefano Mandini (1750-c.1810)


Stefano Mandini nasceu na Itália em 1750 onde iniciou uma carreira de grande sucesso antes de ser contratado pela Ópera Italiana em Viena. Sua estréia ocorreu na ópera L'italiana in Londra de D. Cimarosa no papel de Milord Arispinghe ao lado de sua esposa Maria Mandini em 5 de maio de 1783.

 

Ele era irmão de Paolo Mandini (1757-1842) um tenor membro da companhia de ópera de Eszterháza entre 1783 e 1784 e membro do Burgtheater em 1785-6 e 1789.

 

Entre outros papéis de Mandini em Viena, encontram-se: Mignone em Fra i due litiganti il terzo gode de Sarti (28 de maio de 1783); Almaviva em Il barbiere di Siviglia de Paisiello (13 de agosto de 1783); Conte Zefiro em La dama incognita, ossia Le vendemmie de Gazzaniga (13 de abril de 1784); Teodoro em Il rè Teodoro in Venezia (23 de agosto de 1784) e Giorgino em La contadina di spirito (6 de abril de 1785), ambas de Paisiello; Artidoro em Gli sposi malcontenti de S. Storace (1º de junho de 1785); Pippo em La villanella rapita de F. Bianchi (25 de novembro de 1785); Poeta em Prima la musica, poi le parole de Salieri (7 de fevereiro de 1786); Conte Almaviva em Le nozze di Figaro K.492 de Mozart (1º de maio de 1786);  Marone em Il trionfo delle donne de P. Anfossi (15 de maio de 1786); Lubino em Una cosa rara de Martín y Soler (17 de novembro de 1786); Doristo em L'arbore di Diana de Martín y Soler (1º de outubro de 1787); e Biscroma em Axur, rè d'Ormus de Salieri (8 de janeiro de 1788).

 

Mozart tinha Mandini em mente ao escrever o papel de Don Asdrubale em sua ópera incompleta Lo sposo deluso K.430/424a. Também é possível que Mozart lhe tenha destinado algum papel em sua outra ópera incompleta, L'Oca del Cairo K.422. Mandini participou de concertos promovidos pela Tonkünstler-Societät em 22 e 23 de dezembro de 1783, nos quais cantou uma ária de A. Sacchini e um trio de Giuseppe Sarti com Katherina Cavalieri e Johann Valentin Adamberger.  Mozart tocou um concerto para piano no primeiro dia (provavelmente o Concerto para piano n.13 K.415) e relatou em carta ao pai que o segundo dia teve um público muito menor que o primeiro. Para a estréia da ópera La villanella rapita de Bianchi em 25 de novembro de 1785 Mozart recebeu a encomenda de um quarteto, Dite almeno in che mancai K.479 (para Mandini, Bussani, Calvesi e Celeste Coltellini) e um trio, Mandina amabile K.480 (para Mandini, Calvesi e Celeste Coltellini). AInda naquele ano, em 13  e 15 de março Mandini participou de dois concertos  da Tonkünstler-Societät, cantando uma ária no intervalo.

 

O sucesso de Mandini em Viena era enorme. A maioria das críticas eram positivas: quando ele interpretou Mignone em Fra i due litiganti, o Conde Zinzendorf escreveu em seu diário: "Mandini cantou o papel de Mignone perfeitamente"; sua interpretação do dueto "Gioia e pace sia con voi" com Benucci (Bartolo) em  Il barbiere di Siviglia agradou tanto ao Imperador Joseph II que este pediu que ele fosse bisado. Segundo Zinzendorf, Mandini cantou em La dama incognita "como um anjo", e achou sua atuação e a de Benucci como pai e filho em La contadina di spirito "extremamente engraçada". Um crítico anônimo classificou seu papel em L'arbore di Diana como moralmente pernicioso e musicalmente inadequado, mas de qualquer forma elogiou Mandini, "pois ele é um artista de primeira categoria e canta bem todos os seus papéis."

 

Quando Mandini deixou Viena para cantar em Nápoles a convite da Rainha Maria Carolina (irmã de Joseph II), houve grande consternação do público. Seu concerto de despedida em 15 de fevereiro de 1788 foi ovacionado pelos vienenses, que o consideravam um dos melhores cantores da geração.

 

Em 1789 ele e sua esposa cantaram com considerável sucesso em Paris. Em junho ele e Maria Mandini participaram da ópera La villanella rapita de Bianchi nos papéis de Pippo e Mandina. Um crítico do Mercure de France escreveu no dia 27: "A voz do Signor Mandini é muito bonita e não é nada forçada, com uma vasta extensão, capaz inclusive de cantar tenor [...]. Sua atuação é muito inteligente, sutil e criativa, e ainda mantém-se natural." O mesmo jornal também fez muitos elogios à sua atuação como Almaviva em Il barbiere di Siviglia de Paisiello em 22 de julho.

 

Em 1794-5 Mandini esteve em Veneza. Nessa época iniciou negociações para ser contratado novamente em Viena, mas não houve resultado. Ainda assim, Mandini cantou naquela cidade como convidado em La Griselda de Piccini e La molinara de Paisiello em junho de 1795.

 

Em 1795 Mandini partiu para São Petersburgo, onde foi muito bem recebido. A pintora francesa Elisabeth Vigée-Lebrun o ouviu cantar na Rússia e escreveu em suas memórias: "Ele era bonito, um ator esplêndido e cantava maravilhosamente."

 

A data de sua morte, assim como a da esposa é incerta, e os historiadores acreditam que ele tenha falecido após 1810.


Parentes e amigos

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