Vittoria Tesi Tramontini (1700-1775)


Vittoria Tesi nasceu em Florença em 13 de fevereiro de 1700, e seria o contralto mais famoso de seu tempo, e conhecida como "La Moretta". Ela estudou canto na mesma cidade ainda muito cedo com Francesco Redi, e em Bolonha estudaria com Campeggi. Ela tinha uma voz excelente e de uma potência que surpreendia, embora a  coloratura tão apreciada pelos italianos não fosse o seu forte.

Ela cantou em Bolonha no Teatro Formagliari com apenas dezesseis anos, na ópera Il sogno avverato, e retornaria àquela cidade com bastante freqüência nos anos seguintes.

Aparentemente, Vittoria teria se apaixonado por Handel nessa época, depois de cantar em sua primeira ópera italiana, Rodrigo e também na ópera Agrippina, no papel-título. Ela teria mesmo o seguido de Florença para Veneza. Os biógrafos afirmam que Handel, que tinha vinte e quatro anos, não teria casado com ela porque ele ainda era muito pobre. Mas isso também pode ter ocorrido porque na época ela era amante do Grão-Duque de Toscana, Cosimo III de Medici.

Em 1719, Vittoria foi contratada pela corte de Dresden, e cantou nos festejos de casamento do príncipe-herdeiro da Saxônia (ou Sachsen), Friedrich August, com Maria Josepha, Arquiduquesa sa Áustria, em 20 de agosto. Lá ela também foi ouvida pelo compositor e flautista Johann Joachim Quantz (1697-1773). Este escreveu sobre Vittoria: "[a] natureza a dotou com uma voz de contralto com uma potência masculina. Ela tinha uma habilidade inata de impressionar o espectador com sua atuação, especialmente em papéis masculinos, e estes lhe serviam perfeitamente."

No ano de 1722, Vittoria cantou pela primeira vez em Milão, onde recebeu o apelido de "La Regina del canto". Em 1725, ela cantou na estréia da ópera Marc'Antonio e Cleopatra de Hasse. Curiosamente, Vittoria cantou no papel de Marco Antônio, e Carlo Broschi, conhecido como "Farinelli", no papel de Cleópatra. O compositor Vinci foi solicitado para escrever uma ópera para o aniversário do Imperador Karl VI em Nápoles, 1º de outubro de 1724, e essa ópera seria Eraclea, com Vittoria Tesi no papel-título.

Quando esteve em Veneza, em 1735, cantou em diversas operas serias, como Cesare in Egitto, de Giminiano Giacomelli, no papel de Cornelia; Em 1736 ela cantou na ópera Venceslao, de Marino Rossetti, ópera dedicada ao Príncipe Joseph Friedrich von Sachsen-Hildburghausen, patrono de música, que mais tarde hospedaria Vittoria em Viena. No elenco, estavam: Angiolo Amorevoli (Venceslao), Vittoria Tesi (Lucinda), Felice Salimbeni (Casimiro), Giovanni Cupilli (Alessandro), Margherita Giacomazzi (Erenice), Lorenzo Saletti (Ernando) e Anna Catterina (Gismondo). Ainda naquele ano, ela cantou na ópera L'Alessandro nell'Indie, de Hasse, no papel de Cleofide.

Ela também participou dos festejos de casamento do Duque Felipe de Parma com Louise Elisabeth, filha de Louis XV, em 1739. Eles seriam pais de Isabella de Parma, futura esposa do Imperador Joseph II. No dia 4 de novembro apresentava-se com muito luxo a ópera Farnace de Corselli, com o seguinte elenco: Gaetano Majorano "Caffarelli" (Farnace), Annibale Pio Fabri (Pompeo), Anna Peruzzi "La Parruchiera" (Tamiri), Vittoria Tesi (Berenice), Lorenzo Saletti (Gilade), Rosa Mancini (Selinda) e Elisabetta Uttini (Aquilio).

Vittoria cantou em Nápoles em diversas óperas. Em 1741, cantou no papel de Cleopatra na ópera Tigrane de Giuseppe Arena. Em 1742, na ópera Bajazet de Andrea Bernasconi, ela cantou no papel de Asteria. Em 1743, na ópera La ninfa Apollo de Andrea Bernasconi no papel de Clori. No libretto desta ópera ela é citada como Virtuosa di Camera di S. M. la Regina d'Ungheria e Boemia, ou seja, de Maria Theresia. Ainda naquele ano ela cantou no papel de Emira Idaspe na ópera Siroe de Gennaro Manna e no papel-título de Semiramide de N. Jomelli. No ano seguinte ela cantou no papel-título de Ipermestra de C. W. Gluck e novamente como Cleofide em Alessandro nell'Indie de Hasse. Em 1745, ela cantou no papel de Berenice na ópera Antigono de Andrea Bernasconi. Ainda naquele ano, ela cantou no papel-título de Semiramide riconosciuta de Hasse. Depois de passar por Nápoles e Veneza, estabeleceu-se em Viena em 1749, morando no palácio do Príncipe Joseph Friedrich von Sachsen-Hildburghausen. Este teria Gluck como seu kapellmeister a partir de 1752, e Dittersdorf seria um de seus violinistas a partir de 1761.

Ela também cantou nas óperas Artaserse de B. Galuppi como Mandane, e Olimpiade de L. Leo como Megacle.

Vittoria tinha fama de aventureira, extravagante e pródiga, além de ser muito bonita. Ela casou com um barbeiro chamado Tramontini, o que não a impediu de ter muitos casos. Afirma-se que ela teria se casado com esse homem simples para fugir das investidas de um nobre apaixonado. E que ela teria pago 50 ducados para que Tramontini se casasse com ela. O casamento seria apenas de aparências. Não há, porém, comprovação para essa história. Chegou a acumular riquezas, mas gastou todos os seus bens com um de seus amantes, um certo Cosnedi. Ela também teve como amante, em 1736, o Cardeal Enea Silvio Piccolomini.

Vittoria Tesi aposentou-se em 1749 e passou a ensinar canto em Viena. Entre seus alunos estavam Elisabeth Teyber "Teuberin", irmã de Theresia Teyber. Vittoria também fora professora de Anna Lucia de Amicis e de Caterina Gabrielli na Itália.

Ela faleceu naquela cidade, em 9 de maio de 1775.


Parentes e amigos

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